segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Disquetes Right

- "Estás assustada, não estás?"
- "Sim, estou tanto... Passei este ano a dizer que era isto que mais que queria, depois fiquei nostálgica e agora quero fugir. Ainda por cima vou sozinha."
- "Quando é que foi a última vez que foste sozinha para a escola? 1º ano?"
- "Foi só mesmo no infantário."

Tinha 5 anos quando te conheci. Na altura nem te achei muita piada, nem te percebia. Preferias jogar à bola com os rapazes, não gostavas de tranças, não usavas pulseiras e nem gostavas de sais... Eu, escusado será dizer, adorava isso tudo. E durante este (imenso) tempo não mudou muito.
Não digo que gosto de ti a toda a hora, não és minha irmã no facebook, não te coloquei um rótulo de melhor amiga, não te ligo em conferência. Também não és nenhuma modelo loira de 1,70, não usas vestidos, não gostas de maquilhagem, não lês revistas de moda nem pintas as unhas (vi-te com as unhas pintadas de VERMELHO uma vez na vida). Não gostas de autocarros, por isso queres ter um carro. Não gostas de estudar, mas és estupidamente inteligente. Não te decides com facilidade, o que faz com que estejas semanas a pensar no mesmo, e no fim és capaz de não chegar a nenhuma conclusão. Não estudavas para alguns testes e então ficavas estrategicamente ao pé de mim nos testes. Mas tens coisas fantásticas em ti. És do Benfica, fazias umas festas mesmo giras no animax, gostas de uma boa cusquice, tens resmas de singstars, tens um monte maravilhoso no Alentejo, tens uma viola que eu adoro, tens dinheirito mas ainda consegues ser mais forreta que eu, e eu FELIZMENTE tenho uma LUISA na minha vida. E é por isso que escrevi isto.
Estou há 12 anos contigo na mesma turma, ao teu lado, a copiar trabalhos de casa, a tentar perceber como é que chumbámos uma vez a quimica (lembraste das razões que fizeste para obteres a resposta? Iam em 250...), a rir-mo-nos até nos doer a barriga, a apontar tudo o que os nossos queridos e sábios professores diziam, a trocar papelinhos no colégio... E fora das aulas, continuas a lá estar. Sempre, impressionantemente. Mesmo quando eu não quero, mesmo quando percebes que estou péssima por dentro embora esteja muito sorridente, ou até mesmo só para irmos almoçar. Tu, literalmente, nunca estiveste longe de mim. Por isso agora explica-me como é que vou sobreviver ?!
E assim, concluo que te odeio, Ana Pereira, por não vires para cardiopneumologia.


Sei que adoras oreos, e eu gosto imenso de ti!

5 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Não criatura. Mas se fosse descrever-te emocionalmente tu ias dizer que sou lamechas, sim que eu bem te conheço! és assim tão diferente!!!!!!

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