São poucas as pessoas que guardo no coração. Daquelas que deixam marca e que a distância não apagará. Não sou de muitas amizades femininas, não as sei alimentar, e por isso, quando gosto, gosto mesmo. Não deixo fugir. E acho que essas pessoas sabem. Mesmo quando estou meses sem telefonar, ou quando me esqueço do aniversário, ou quando parece que estou longe. Há os amigos que sabem tudo sobre nós. A Rita não sabe. Mas é minha amiga, porque o sinto desde o primeiro dia de faculdade. E é daquelas que guardo aqui, no coração. Foi-me dada pelas praxes e com um ovo a cair no chão. Estava destinada a mim. Estava também eu destinada ao seu mau feitio. Estava ela destinada ao meu. Soube então aceitá-la com as suas virtudes e defeitos. Soubemos ser uma da outra estes anos, sem muitas zangas, melindrices ou desconfianças. Começo a sentir saudades de um tempo que irá chegar. Temos as duas caminhos por percorrer. Certamente que alguns com destinos diferentes.
Almoços que não teremos, telefonemas que tardarão em chegar. A Rita é
assim. E também por isso gosto dela. Porque ela é dela, muito dela, e de
mais ninguém. Admiro-a na sua inocência, nos seus medos, no afecto que rejeita mas que a alimenta por dentro. É que a miúda é teimosa. Mas foi assim que me conquistou. Não é dificil conquistar-me, mas é dificil manter-me. E ela conseguiu.
Gosto de ti miúda. Para sempre.