Um telefonema. Um simples telefonema. Um telefonema que podia ser igual a tantos outros, que costumam ser de felicidade, destroçou-me a alma. Partiu o meu coração infinitamente, bloqueou as minhas artérias, as minhas veias, o sangue deixou de passar das aurículas para os ventrículos, eu sei lá... Estou sufocada de desgosto, de amor. Sim, de amor. Amo-te demais, é o que é. Vivo intensamente para quê? Sonho, para quê?
Todos os dias, até hoje, te queria amar mais. Tu fazias-me renascer todos os dias. Mas era a mim. E era a mim que eu queria que fosse sempre, durante muito tempo. Mas e agora? Vai continuar a ser só a mim? ...
Não quero acordar e pensar que o teu primeiro "bom dia" foi para outra, não vou gostar de saber que a vais encontrar a ela em vez de a mim quando chegares a casa cansado, não quero viver numa insegurança constante. E não, não me venhas dizer que se trata de confiança. Ninguém gostaria. Nem eu, nem tu, nem ele, nem ela, nem o outro, nem a outra, nem aqueles. Sabes porquê? Porque o amor não deixa. Tudo isto é culpa do amor. Próprio ou pelo o outro, mas não deixa de ser o amor. Sim, só amor. Sem egoísmo, sem desconfiança, sem inveja. Amor. Amor puro, verdadeiro. Se tu estás bem, eu estou bem, mas consegues estar bem sabendo que eu não estou bem? A minha matemática chama a isto "probabilidade condicionada", mas com a ciência das pessoas não sei que lhe chame.
Desmaiei por dentro. Fiquei lívida. Perdi a cor, perdi o brilho. O fim de uma alma calma.
Vale a pena amar-te tanto? Porquê tanto amor se no fundo ele é tão frágil?
pedrosoares