Não dou palmadinhas nas costas de ninguém. Não telefono todos os dias àqueles que me são queridos. Não digo sempre "bom dia" e a minha mãe diz mesmo que eu sou antipática. E talvez até seja. Mas sou assim, narizinho empinado, como se diz por aí. E graças à minha mãezinha, ao meu paizinho, a mim e à miúda chata que no infantário achava que era melhor que eu. Eu não mudo por ninguém, adapto-me, isso sim. E gosto muito de me adaptar. Mas não mudo, pelo menos nesta fase precoce da vida. Continuo a pensar da mesma forma e a ter os mesmos ideais, agora talvez com espaço para alguém na minha bagagem. Mas nem a bagagem que levo comigo fará com que eu me cale em vez de abrir logo a boca antes das palavras terem chegado ao cérebro e eu tenha tido tempo para as processar. Se calhar até devia ir até à varanda sentir o vento e regressar depois de terem passado 10 segundos. Pois, devia mesmo. Mas para azar o meu, a porta da varanda estava fechada e eu também não estava disposta a abri-la. Queria mesmo falar, eu adoro falar. Contudo, tenho a certeza que um dia preferirei o silêncio e perceberei o quanto a minha falta de vontade para me calar magoou a minha bagagem. Mas até lá repito que não dou palmadinhas nas costas de ninguém.
